A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL APLICADA AOS PROCESSOS ORGANIZACIONAIS VOLTADOS AO GESTOR ESTRATÉGICO
A Inteligência Artificial (IA) tornou-se uma temática recorrente nos debates da sociedade pós-informacional. Neste contexto, estudos voltados à sua aplicação no cenário organizacional tornam-se relevantes na medida em que as empresas são inseridas no ambiente de Big Data, materializado pelo excedente de dados que permitem a construção de uma visão prospectiva e prescritiva do ecossistema no qual são inseridas.


A Inteligência Artificial (IA) tornou-se uma temática recorrente nos debates da sociedade pós-informacional. Neste contexto, estudos voltados à sua aplicação no cenário organizacional tornam-se relevantes na medida em que as empresas são inseridas no ambiente de Big Data, materializado pelo excedente de dados que permitem a construção de uma visão prospectiva e prescritiva do ecossistema no qual são inseridas.
Essa capacidade passou a materializar vantagem competitiva entre as organizações contemporâneas que buscam implementar, em seus processos produtivos, a personalização da produção, ou seja, procuram atender às demandas de seus clientes de forma única, fortalecendo os laços entre o prestador de serviço e o consumidor por meio de seu encantamento.
Contudo, o excessivo volume de informações gerado pelo mercado é tão prejudicial quanto a sua falta, posto que a Sociedade 5.0 produz quantidade considerável de dados que excedem a capacidade humana de processamento e tornam a inteligência orgânica obsoleta frente à velocidade do novo ciclo de produção de conhecimentos voltados ao processo de tomada de decisão em nível estratégico organizacional.
Segundo o professor PhD Gilberto de Souza Vianna:
Napoleão estava certo, o grande mistério em qualquer empreendimento, empresarial ou mesmo uma guerra, é aumentar as próprias chances; mas, como Napoleão mesmo classifica, isso é uma arte. [...] Porém, vamos ser sinceros, a tentação de ter uma predição que venha auxiliar nas decisões de um gestor é uma constante, não só nas batalhas, na esfera pública e na esfera privada em todos os níveis [...]
Prefácio do livro: O futuro nos aguarda! Só não precisa ser uma surpresa!, 2020.
O presente artigo consolida a visão sobre a importância da aplicação de ferramentas de Inteligência Artificial para otimizar o processo de tomada de decisão em nível estratégico nas organizações inseridas na sociedade 5.0 e pertencentes à complexa cadeia logística da indústria 4.0.
O conceito de Inteligência Artificial adotado é o referente à arte de criar máquinas que executem funções que exigem inteligência quando realizadas por pessoas. (KURZWEIL, 1990).
Assim, ao se decompor o processo de planejamento estratégico que conduz à tomada da decisão, verifica-se que ele demanda uma fase descritiva, voltada ao passado institucional, e uma diagnóstica, referente ao entendimento do ecossistema no qual a organização se insere. Deste ponto em diante, intensifica-se o processo mental pela imposição das análises demandadas na fase preditiva, permitindo a identificação das tendências mercadológicas e a elaboração das perspectivas probabilísticas. No prosseguimento, estimam-se as possibilidades de linhas de ação fomentadas na fase prescritiva que descortinam caminhos estratégicos para a organização.
Cabe ressaltar que todo o processo é inserido no ciclo de produção de conhecimento que atende, fundamentalmente, ao princípio da oportunidade. O referido princípio deve ser entendido como o uso em momento apropriado da informação. Quando aplicado a nível estratégico, passa a indicar que os esforços de análise e produção sejam adequados ao tempo necessário, sendo úteis ao usuário do conhecimento. Quando aplicado a nível operacional, dispõe que os resultados das ações sejam disseminados em tempo hábil para sua utilização (ABIN, 2023).
Neste cenário, a aplicação das ferramentas de IA torna-se fator crítico de sucesso para as empresas inseridas no cenário mercadológico de Big Data. Tal ambiente é marcado por grande volume de dados, demandando o recebimento e tratamento dos ativos informacionais com rapidez, a checagem de sua veracidade e a identificação de seu valor agregado. Assim, a capacidade de processamento computacional, presente na dinâmica dos algoritmos que consolidam as regras operacionais da IA, permite a construção de cenários estratégicos precisos, com maior eficiência e eficácia, em relação aos gerados pela inteligência orgânica dos humanos.
O emprego da IA, em cenários complexos mercadológicos, otimiza a identificação de tendências e a construção de conjunturas probabilísticas, podendo ser empregados como ferramentas auxiliares aos gestores estratégicos, aumentando a assertividade de suas decisões. Tal constatação fundamenta-se na rapidez do ciclo de produção do conhecimento que as ferramentas de IA permitem ao gerarem entendimentos fundamentados em base de dados coletados da sociedade. Essa conjuntura atende, com maior eficiência e eficácia, ao princípio da oportunidade, posicionando a organização em posição vantajosa em relação às que não fazem uso desta tecnologia.
O emprego da IA não deve substituir a capacidade humana na tomada de decisões estratégicas organizacionais. Ao contrário, sua aplicabilidade deve ser voltada ao auxílio do decisor na adoção de soluções oportunas, viáveis e com maior probabilidade de êxito.
Conclui-se, finalmente, que o emprego de Inteligência Artificial no processo decisório é um caminho sem volta para as organizações que desejam manter-se em alto grau de competitividade. Contudo, a capacidade humana, fundamentada na perspicácia e na experiência de mercado, sempre será um diferencial competitivo na condução dos rumos estratégicos organizacionais. A chave do sucesso será a aplicação da inteligência coparticipativa, integrando as capacidades humanas com as potencialidades da IA.

